Ao meu amor, a dança

Quando perguntam o que eu amo, a primeira coisa que me vem em mente é: DANÇAR!!!! Aquele momento em que eu danço é mágico. Tenho a impressão que o mundo para, que nada mais importa, que nada mais existe além daquela dança. Eu, por alguns segundos, esqueço quem sou, esqueço da minha história, da minha profissão, dos problemas, da família, dos amigos e sobra apenas a felicidade e o prazer daquele momento.

Comecei a dançar aos 10 anos. Essa paixão nasceu do ballet clássico que eu fiz até completar os 18. Na época, foi uma bela lesão no joelho que me tirou das salas de aula. Junto disso, a necessidade de encarar a vida adulta me manteve distante daquilo que sempre me fez feliz. Com a faculdade à noite, trabalhando no comércio e ainda precisando se sustentar, não sobrava tempo nem dinheiro para a prática. O fato é que o tempo foi passando e aquele amor ficou guardado, mas sempre presente, sempre me cutucando e sufocando. Bastava e ainda basta ouvir uma música na qual é possível dançar (sem preconceitos) e lá estava eu, batucando onde desse, me balançando, me segurando ao máximo para não sair dançando. Afinal de contas, estava na fila de um supermercado, na beira da praia, lugares nada próprios para alguém sair dançando. A não ser que realmente fosse maluca ou estivesse numa cena de um musical de Hollywood.

O fato é que eu precisava voltar de alguma maneira, precisava estar em contato. Sentia sempre que estava prestes a explodir caso eu não dançasse logo. Durante esse período, de 10 anos longe do meu ballet, fui apresentada à dança de salão. Pronto, virei amante dessa modelidade também. Experimentei algumas escolas da cidade e, em várias delas, não conseguia me sentir à vontade. Faltavam algumas coisas que sempre me acompanharam na minha antiga escola de ballet: os amigos, os relacionamentos. Amigos esses que até hoje continuam presentes na minha vida e cito com muito orgulho. Desta vez, eu precisava dar mais um passo importante, pois descobri que além de dançar, eu também queria novos amigos.

Após diversas experimentações, houve uma escola, em especial, que me conquistou. Foi ali que fui mais acolhida, que ninguém torceu o nariz ou virou a cara (sim, isso aconteceu algumas vezes). Ali, eu tive a impressão que quando cheguei as pessoas abriram os braços e sorriram para mim. São jovens, cheios de vida, de energia boa. As aulas são descontraídas. As pessoas não estão ali puramente pela técnica, mas veem desse lugar uma forma de se encontrar, se divertir e dançar.

Hoje encaro a dança como um lazer. É isso que ela representa na minha vida. Como toda sensação gostosa, vicia, e cada vez mais você quer estar perto. Começa com duas vezes na semana e, se deixar, você não sai mais de dentro da escola o que, por fim, acaba fortalecendo as amizades e virando uma família. É assim, feliz, que hoje, com alguns meses de escola, me sinto parte da família do Clube da Dança e agradeço pelo carinho, pela parceria e pela alegria contagiante dessa galera que me mantém próxima da dança.