O tal do equilíbrio

Nem lembro mais a idade certa. Foi entre os 18 e os 21 anos. Não fui uma criança obesa. Era saudável e bem moleca. Daquelas que jogava futebol e taco. Dei uma engordadinha aos 15. Como já era época de se arrumar e tal, passei a me preocupar com o fato de me manter em forma. Ficar gorda nem passava pela minha cabeça. Saúde? Também não. Sequer ligava uma coisa a outra. Comecei a correr. Mantinha um horário sagrado para treinar.

Foi aí que a coisa ficou séria. Queria emagrecer e treinar cada vez mais. Para continuar no time no qual jogava futebol, não podia engordar. Muita pressão. Ser magra virou minha obsessão. Só pensava nisso. Dos 18 aos 19 anos, passava o dia na ACM. Fazia todas as modalidades possíveis. Mesmo quando já estava num peso legal e com um corpão, queria mais. Achava que estava gorda. Parei de comer. Desmaiei em alguns jogos. Total distorção de imagem. Meus amigos da ACM notaram e começaram me alertar.

Assim seguiu até que eu fui passar as férias de verão junto da minha mãe, que notou o que estava acontecendo. Fomos ao médico. Pesava 54 kg, bem abaixo do ideal para a minha estatura. No máximo, meu peso variava entre 58 e 62 kg. O diagnóstico? Estava em processo de anorexia. A mamis passou os 2 meses cuidando da minha alimentação. Iniciei terapia e contei com o apoio da minha amiga Graça, que sempre dizia que eu estava linda. Aos poucos, fui melhorando.

Do 8 ao 80, hoje busco o equilíbrio. Sei que estou no caminho certo. O importante é estar bem consigo e saudável. O bom de tudo que passei é que serviu de lição. Cresci e aprendi. Quisera ter essa maturidade aos 20 aninhos. Quando falavam, eu não entendia. No entanto, não há nada que o tempo não resolva. Ah, o tempo.