Anorexia nervosa: o que é e como tratar

Até agora falou-se muito sobre as questões relacionadas ao comer em excesso. Mas o que acontece com algumas pessoas quando apresentam uma perda importante de peso causada por uma restrição alimentar por consequência de um medo intenso e irracional de engordar? Neste caso, podemos estar diante de um transtorno chamado de anorexia nervosa. Esse transtorno alimentar caracteriza-se principalmente pela recusa em se alimentar por temer, de forma exagerada, engordar. As pessoas que desenvolvem este transtorno alimentam-se de uma maneira rígida e insuficiente. Tem início quase sempre na adolescência, mas isso não quer dizer que não encontraremos este transtorno em crianças e em pessoas acima dos 20 ou 30 anos. Pode aparecer logo depois de um evento traumático ou depois de uma dieta para perder peso.

O quadro avança para anorexia quando a dieta e a perda de peso subsistem até que a pessoa atinge níveis de peso muito inferiores aos esperados para a sua idade, perdendo a autocrítica sobre a situação. Mesmo estando extremamente magras, enxergam-se e percebem-se gordas. Muitas vezes as pessoas demoram a procurar ajuda porque a ideia fixa de se manter magra confunde-se com os valores contemporâneos.

Para se manterem magras, fazem atividade física em excesso e abusam de laxantes e diuréticos, chegando a provocar vômito depois das refeições. Tendem a procurar ajuda especializada depois de muitos anos sofrendo com o transtorno. Isso acontece porque negam estar doentes e, muitas vezes, utilizam-se de um discurso de que todo mundo quer ser magro ou dão verdadeiras aulas de como a obesidade pode ser algo muito perigoso para a saúde.

A anorexia possui um índice de mortalidade alto, entre 15 a 20%. Geralmente mata por parada cardíaca, devido à falta de potássio ou sódio (que ajudam a controlar o ritmo normal do coração). O tratamento com especialistas, que inclui psicólogos, psiquiatras e nutricionistas, tem como objetivo fazer com que a pessoa obtenha um comportamento alimentar normal “sem medo e sem culpa”. Afinal de contas, uma boa refeição deve gerar prazer e não culpa!

Eva Maria Fayos Garcia
Psicóloga